Encontrada mais uma obra de Kabeirobtozob, envolta em enigma e mistério. Uma camara de corda Krasnogorsk K3 toda chamuscada, juntamente com manuscritos e diagramas explicativos da obra, infelizmente alguns muito danificados pelo fogo, revelam aquilo que parece ser uma obra-testamento do arquitecto russo.
Nesta obra Dimitri pega fogo a uma Krasnogorsk K3 em funcionamento, e filma-se a si próprio pronunciando uma frase, antes de a película derreter. Segundo alguns manuscritos que se conseguiram decifrar, o material que resistisse ao consumo pelo fogo, seria a Obra. Estas indicações estavam juntas com vários desenhos de arquitectura de casas-barco e condomínios - palafíticos, algumas obsessões do trabalho arquitetónico de Dimitri. "Porque o fogo que me faz arder é o mesmo que Te ilumina", era uma das frases repetida várias vezes nos manuscritos de Dimitri.
Não se descobriu nenhuma indicação sobre a unica fala de Dimitri no filme, havendo diversas teorias e especulações. Segundo uns, Dimitri diz "rosebud", mas outra corrente inclina-se para "koniec".
título desconhecido - Dimitri Kabeirobtozob - 16mm - data desconhecida
terça-feira, novembro 25, 2008
sexta-feira, novembro 07, 2008
Cabeirita

Cabeirita é um ser entediado que permanece no limbo da morte depois de ter posto termo à vida. Depois de provar que realmente existe vida depois de morte, Cabeirita amaldiçoa a sua sorte, entregando-se a uma existência onde a inactividade convive com a observação cínica do mundo dos vivos , reforçando o seu profundo desprezo pelo ser humano, o seu comportamento, e as suas criações. Prisioneiro de Hades e do tédio, este ser revolta - se preguiçosamente contra a sua condição de morto, que constatou ser ainda mais aborrecido do que estar vivo. A sua inércia diária é agitada por pensamentos que tentam fugir ao tédio rotineiro do seu dia a dia, mas rápidamente o aborrecimento o invade...
Brevemente...
sábado, outubro 18, 2008
David na era do Triki-triki

Apresentamos mais um elemento do filme "O Coveiro" no qual é reproduzido o vulto do caríssimo David Almeida. Serve esta ocasião para se prestar uma pequena e humilde homenagem ao contributo dado a este filme, por este icone da representação dramática experimental . Perante o desafio de dramatizar com uma técnica tão exigente como a do Triki-triki, David Almeida demonstrou uma noção perfeitamente instintiva deste metodo de animação bem como o perfeito dominio de um personagem extremamente complexo. Além de introduzir pontos de vista inovadores na narrativa com o seu trabalho, tambem apoiou o trabalho dos outros actores com igual empenho. O grau de entrega pode-se comprovar nas suas palavras assim que estava a chegar às rodagens: "Vou para aí disposto a levar o meu fisico aos limites.". E levou.
quinta-feira, setembro 25, 2008
Regresso às jaulas

"O Coveiro" é uma curta metragem de André Gil Mata que tem várias sequências de animação em imagem real. Os daltonic brothers foram chamados a intervir nesta façanha, e depois de várias experiencias em laboratório, inventaram uma nova técnica de animação que mistura várias outras já conhecidas como a pixilagem, a rotoscopia, a animação de volumes, e outras trucagens. Estudou-se Eadweard Muybridge e a sua decomposição do movimento, Ray Harryhausen, Jan Švankmajer e os Brothers Quay nas suas técnicas de animação de volumes, e bebendo a influência dos grandes Mestres, chegou-se a esta nova técnica inovadora.
Esta técnica foi baptizada de "triki-triki".
E no que consiste o "triki-triki"?
Fotografa-se o sujeito, por vezes em sequência de imagens, recorta-se posteriormente cada foto à mão e faz-se a composição final, juntando fundos das mais variadas proveniências (um chão no Porto, uma parede na Beira , uma ponte em Amarante).

Pergunta: Quais são as vantagens do triki-triki?
Aparentemente, nenhumas, a não ser mais demorado, mais dificil, haver mais probabilidades de tendinites, deficiencias oculares, ou pesadelos psicóticos.
Contudo a rotina automática do recorte diário, foto após foto, pixel após pixel, é, segundo alguns operadores de triki-triki, altamente terapêutica, induzindo estados de auto-hipnose quase equivalentes a uma estadia num SPA.

Seria talvez uma solução para a depressão nacional haver um movimento de filmes em triki-triki, que causaria o aumento da produtividade, de postos de trabalho e do bem estar . Ocupando os cidadãos numa rotina automática, porém criativa e realmente produtiva, haveria a diminuição do stress e do consumo de antidepressivos que está a tornar Portugal num país apático.
Libertava-se o povo da rotina burocrata , dependente do crédito, das grandes empresas e do Estado-Vilão.
Teríamos filmes com um aspecto diferente do normal (isso já temos...), num falso 3D, mas com melhor aspecto, e um "look" superior ao deprimente croma. O triki-triki é a retoma!
Aumentaríamos a nossa auto-estima cinematográfica, recuperando espectadores que têm sido afugentados sistemáticamente das salas pelo academismo bacoco ou pelo cinema comercial-pseudo-indústria.
Com paciência e perseverança tudo se alcança !
Nestes exemplos, o grande David Almeida, debruça-se na ponte de Amarante e vê o seu reflexo no rio.
sexta-feira, maio 30, 2008
Rainer Schlurps
Rainer Schlurps nasce na Alemanha em 1939 no seio de uma família ilustre, que vivia de heranças dos seus nobres antepassados.
Sendo desde sempre considerado o mais introvertido da família, tentava sempre passar despercebido em qualquer lado para onde fosse, sendo muitas vezes difícil, devido ao grupo de aristocratas e figuras públicas que geralmente o acompanhavam.
Um dia vai ao cinema e descobre o que é a indiferença do espectador para com quem está a seu lado, como que hipnotizado pela tela.
A partir daí, Schlurps refugia-se em salas de cinema, um lugar de eleição para poder encontrar a paz que procurava. A desatenção que a tela criava para com a sua pessoa faz dele um indivíduo anónimo, um simples mortal. Começa a escrever pequenos textos sobre cinema, no seu diário.
Com a crescente má qualidade dos filmes (principalmente a partir do meio da década de sessenta, segundo Schlurps), a nova burguesia recomeçou a estar atenta a quem frequentava as salas. Muito mais do que ir às salas para verem filmes, era moda ir para conviver, bisbilhotar e até mesmo engatar. Na sessão da meia-noite do cinema Kino em Berlim, numa projecção de “A Smell of Honey, A Swallow of Brine”, Schlurps entra a meio da sessão como de costume (“uma forma de fugir ao olhar atento do espectador”, segundo o diário de Schlurps), e para sua grande surpresa, é reconhecido por um grupo de vanguardistas que dizem ter ido à sala para escrever uma crítica sobre o estado do cinema (veio-se a descobrir mais tarde que afinal eles quereriam roubar a crítica que Schlurps tinha escrito, crítica essa, que continha um anagrama que segundo ele, era o plano para representar a morte do cinema). Schlurps conseguiu no entanto fugir sem deixar rasto.
Os seus pais souberam da ocorrência através de “más línguas” na sessão de cinema das 15h30 do dia seguinte e apressaram-se para casa de Schlurps, arrombaram a porta e encontraram um filme que foi posteriormente analisado por vários críticos de cinema que o consideram actualmente um génio, um visionário que, segundo Sarah Plenert (historiadora de cinema), previu a morte do cinema.Deixou tambem num papel, uma frase enigmática que ainda ninguém consegui descobrir o seu veradeiro significado:
R. S. :”Em El Ei, vou ser Rei”
A colecção Bernardo mostra-nos agora a sua única obra conhecida, "Refúgio".
"Zuflucht" - Rainer Schlurps - 16 mm - 1967
Sendo desde sempre considerado o mais introvertido da família, tentava sempre passar despercebido em qualquer lado para onde fosse, sendo muitas vezes difícil, devido ao grupo de aristocratas e figuras públicas que geralmente o acompanhavam.
Um dia vai ao cinema e descobre o que é a indiferença do espectador para com quem está a seu lado, como que hipnotizado pela tela.
A partir daí, Schlurps refugia-se em salas de cinema, um lugar de eleição para poder encontrar a paz que procurava. A desatenção que a tela criava para com a sua pessoa faz dele um indivíduo anónimo, um simples mortal. Começa a escrever pequenos textos sobre cinema, no seu diário.
Com a crescente má qualidade dos filmes (principalmente a partir do meio da década de sessenta, segundo Schlurps), a nova burguesia recomeçou a estar atenta a quem frequentava as salas. Muito mais do que ir às salas para verem filmes, era moda ir para conviver, bisbilhotar e até mesmo engatar. Na sessão da meia-noite do cinema Kino em Berlim, numa projecção de “A Smell of Honey, A Swallow of Brine”, Schlurps entra a meio da sessão como de costume (“uma forma de fugir ao olhar atento do espectador”, segundo o diário de Schlurps), e para sua grande surpresa, é reconhecido por um grupo de vanguardistas que dizem ter ido à sala para escrever uma crítica sobre o estado do cinema (veio-se a descobrir mais tarde que afinal eles quereriam roubar a crítica que Schlurps tinha escrito, crítica essa, que continha um anagrama que segundo ele, era o plano para representar a morte do cinema). Schlurps conseguiu no entanto fugir sem deixar rasto.
Os seus pais souberam da ocorrência através de “más línguas” na sessão de cinema das 15h30 do dia seguinte e apressaram-se para casa de Schlurps, arrombaram a porta e encontraram um filme que foi posteriormente analisado por vários críticos de cinema que o consideram actualmente um génio, um visionário que, segundo Sarah Plenert (historiadora de cinema), previu a morte do cinema.Deixou tambem num papel, uma frase enigmática que ainda ninguém consegui descobrir o seu veradeiro significado:
R. S. :”Em El Ei, vou ser Rei”
A colecção Bernardo mostra-nos agora a sua única obra conhecida, "Refúgio".
"Zuflucht" - Rainer Schlurps - 16 mm - 1967
segunda-feira, maio 05, 2008
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